Matheus Levandowski
Voltar ao blogBem-estar

A Influência do Exercício Físico na Saúde Mental

5 de outubro de 20247 min de leituraMatheus Levandowski
A Influência do Exercício Físico na Saúde Mental

Pesquisas mostram que a prática regular de exercícios reduz sintomas de depressão e ansiedade. Entenda os mecanismos por trás dessa relação e como incorporar o movimento como aliado da psicoterapia.

Na prática clínica, uma das recomendações que faço com mais frequência aos meus pacientes é simples e acessível: mover o corpo. Não como substituição à psicoterapia, mas como aliada poderosa dela. E não se trata de intuição, existe uma quantidade crescente de evidências científicas sustentando essa relação.

Por que as pessoas se exercitam?

Antes de falar nos benefícios, vale entender a motivação. Pesquisas na área identificam pelo menos sete razões principais que levam as pessoas a adotarem uma rotina de atividade física: controlar o peso, melhorar o condicionamento, preservar a saúde, manter o tônus muscular, buscar atratividade, cultivar o humor e simplesmente encontrar diversão no movimento.

Esse último ponto é mais importante do que parece. Quando o exercício deixa de ser punição e passa a ser algo que a pessoa genuinamente gosta, a adesão aumenta muito. Por isso costumo orientar os pacientes a experimentar diferentes modalidades até encontrar aquela com a qual se identifiquem, e sempre com acompanhamento de um profissional de Educação Física.

O que a ciência diz sobre exercício e saúde mental?

Estudos conduzidos por Edwards et al. (2004) e Elavsky et al. (2005) analisaram a relação entre diferentes modalidades de exercício e indicadores de bem-estar psicológico, autoestima e saúde percebida. Os resultados apontam benefícios consistentes para a saúde mental independentemente da faixa etária, tanto em jovens universitários quanto em populações idosas.

Felipe Barreto Schuch, pesquisador do Centro de Educação Física e Desporto da UFSM, resume bem o que as evidências mostram: pessoas mais ativas têm menor probabilidade de desenvolver depressão e ansiedade. Além disso, a atividade física demonstra eficácia no alívio de sintomas em transtornos como depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia.

Quanto de exercício faz diferença?

Uma pergunta comum é: precisa ser muito? A resposta reconfortante é que não. A psiquiatra Bruna Campos, em entrevista ao portal do Dr. Drauzio Varella, aponta que tanto o exercício aeróbio quanto o de resistência demonstram eficácia na redução de sintomas depressivos quando mantidos por cerca de 90 minutos semanais, o equivalente a três sessões de 30 minutos por semana.

A própria Organização Mundial da Saúde reforça esse ponto: qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma. As recomendações oficiais indicam de 150 a 300 minutos de atividade moderada a vigorosa por semana para adultos, mas para quem está começando do zero, o mais importante é começar de forma gradual e ir aumentando o ritmo com o tempo.

O que acontece no corpo e na mente durante o exercício?

Os mecanismos por trás desses benefícios são variados. O exercício estimula a liberação de endorfinas, neurotransmissores diretamente associados à sensação de bem-estar e ao alívio da dor. O aumento do fluxo sanguíneo cerebral melhora a função cognitiva e a clareza mental. A rotina de treinos também traz uma sensação de realização e estrutura ao dia, dois fatores que costumam se deteriorar nos quadros depressivos.

Há ainda um componente social relevante. Praticar atividades em grupo, seja numa academia, numa aula de dança ou num time de corrida, promove conexão com outras pessoas, o que por si só tem efeito protetor sobre a saúde mental.

Exercício e psicoterapia juntos

Vale deixar claro: o exercício físico não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Mas quando combinado à psicoterapia, pode potencializar os resultados de forma significativa. Pacientes que incorporam atividade física regular ao longo do processo terapêutico frequentemente relatam melhora no humor, mais energia, sono de melhor qualidade e maior capacidade de lidar com situações estressantes.

Se você está em acompanhamento psicológico ou pensando em começar, considere incluir o movimento como parte da sua rotina de cuidado. Comece pelo que for possível hoje, uma caminhada de 20 minutos já é um começo válido.

Quer conversar sobre como integrar essas estratégias no seu processo? Entre em contato pelo WhatsApp.

Referências: Edwards et al. (2004) · Elavsky et al. (2005) · Peixoto (2021)

Matheus Levandowski

Matheus Levandowski

Psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo Comportamental. CRP-RS 07/38620. Atende presencialmente em Porto Alegre e online para todo o Brasil.

Agendar consulta →